Francisco Rebouças

A Páscoa é uma das mais tradicionais comemorações da comunidade Cristã,que
o dicionário da língua portuguesa define como sendo: s.f. Festa anual dos
hebreus em memória da sua saída do Egito; festa anual dos cristãos em
memória da ressurreição de Cristo.

Por este motivo, irmãos de diversas correntes do cristianismo estarão
comemorando a volta de Jesus à vida, que se deu justamente na páscoa judaica
no ano 33 da nossa era. A Páscoa em verdade, nas interpretações dadas pelas
religiões tradicionais, está envolta num injustificado conceito de "culpa",
pois segundo ensinam, Jesus teria padecido os tormentos porque passou, "para
nos salvar", em razão dos nossos pecados, que teriam se iniciado com a
desobediência de Adão e Eva no paraíso.

Nós Espíritas, embora sendo também cristãos, não celebramos a páscoa dessa
forma, por entendê-la de maneira bem diferente no que concerne à morte e à
"ressurreição" de Jesus, pois sabemos que a aparição do Mestre de Nazaré a
Maria de Magdala e aos seus Discípulos não foi uma derrogação das Leis
naturais do nosso Planeta, pois, uma ressurreição significaria a volta à
vida de um corpo já morto, o que sabemos ser cientificamente impossível.

A Doutrina Espírita não proíbe, nem condena a forma como a páscoa é
comemorada pelos nossos irmãos em humanidade, se levarmos em conta o seu
simbolismo; para nós espíritas, a páscoa pode muito bem representar a
libertação da ignorância pelo conhecimento, a vitória da vida sobre a
"morte", a renovação dos nossos propósitos mais nobres no engrandecimento do
espírito imortal, a nossa renovação moral na transformação do homem velho
que sempre fomos e no crescimento em
nosso interior do homem novo, renovado em seus princípios éticos-morais.

Duas figuras se destacam na comemoração da Páscoa:
1. O COELHO, por ser animal rápido, esperto, e transmitir a idéia de
alegria, representa o divulgador da notícia da ressurreição do Cristo.

2. O OVO, que já era utilizado antigamente para comemorar a páscoa judaica,
onde as pessoas presenteavam-se com ovos verdadeiros, cuja casca pintavam
com muito carinho para servir de enfeite e como lembranças para a pessoa a
quem se ofertava, porém tinham como desvantagem a facilidade com que se
quebravam e estragavam. Com o passar dos anos, o homem teve a idéia de
comercializar a maneira de se presentear na páscoa, e então passou a
produzir os ovos de chocolate, de açúcar, porcelana, alumínio e diversos
outros materiais, que serviram para sustentar a idéia de presentear com o
ovo na páscoa e ainda auferir vantagens financeiras, a tal ponto que em
nossos dias, o que mais importa não é o real motivo da comemoração da
páscoa, que muitos não sabem o que representa, e sim o tamanho e o valor do
ovo de chocolate que sonham em receber.

Entendemos a páscoa como uma divina lição que Jesus nos deu, vencendo as
iniqüidades do mundo, e retornando triunfante para confirmar o que já havia
afirmado antes: "que a morte não existe como a entendemos; e cumprir sua
promessa de "ficar eternamente conosco", servindo-nos de bússola, apontando
a direção certa a todos quantos sinceramente desejarem segui-lo e
encontrá-lo.